terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tastes of Saigon / part 2 - o que uma lata de atum pode fazer por um tuga!



Estou na terceira semana desde que cheguei e até agora ainda não houve nenhuma surpresa com a comida. Provavelmente, porque tenho usado alguma precaução (mas não caldos de galinha), contudo, ontem tive o primeiro sobressalto e fui obrigado a utilizar o meu “meal survival kit”. Foi uma dica do meu pai, dois dias antes de viajar.

No restaurante do roof top, a comida hoje era peixe-gato (?) pelo menos traduziram-me como Cat-fish, ou, em alternativa, sapo guisado com arroz.  Sim, Sapo. Ainda disse, na brincadeira:
“Ora, ora, querem impressionar-me! Também temos rãs em Portugal. E as suas pernas são um óptimo petisco!!” e ainda para reforçar: “Comemos caracóis ao lanche, com cerveja e tudo!!”.
“No Sergio”, disse o meu colega, “It´s frog. A stew green frog, with rice” Ele não estava a brincar, pois não optou nem pelo peixe, nem pelo sapo. Escolheu noodles com beef.

Fiquei enjoado e os cheiros que estavam no restaurante começaram a ter outra espessura e profundidade… ainda por cima, anteontem choveu que se fartou e achei bastante divertido ouvir nos pequenos lagos que se iam formando nas estradas, o ensurdecedor GRUAC dos sapos!! Que coincidencia estranha...

Num flash, enquanto o empregado de mesa aguardava pela minha decisão, a minha mente visitou as imagens dos sapos bem nutridos e verdinhos do videoclip do Paul McCartney (We all stand together, Rupert and the frog song)  e não me imaginei a chupar os ossos ou a juntar o molho com o arroz… não. Ainda não estou preparado. Dê-me mais uns dias…
“So guy?” – perguntou o Markus, à espero que eu decidisse.

Com um ar muito sereno, sem dar parte fraca, como se fosse para mim normal comer anfíbios semanalmente, disse-lhe que o meu prato preferido com Sapo em Portugal era à espanhola, ou seja, muito tomate e cebola e que estufado não tinha piada nenhuma!!!
Eu queria era ir embora, porque estava agoniado, e o restaurante em minutos transformou-se completamente. Deixou de ter piada e tudo já estava a repugnar-me.
Mas como queria manter a imagem do macho Lusitano e do Português desenrascado, tirei a minha lata de atum Ramirez ao natural que tinha na mochila juntamente com os documentos (já a contar com estas situações) e pedi simplesmente uma tacinha de arroz!!! Livrei-me de comer os amigos do Rupert!!
O Markus, ficou a olhar para mim… e sorriu... percebeu perfeitamente o meu pânico, mas mostrou-me um ar cumplice misturado com admiração por aquele momento de Houdini - a latinha, do nada surgiu...
PS: Só trouxe 3 latas… tenho que aprovisionar mais umas quantas… e obrigado pai pela dica ;-)

1 comentário:

  1. Queres que mande latinhas?? se não ficarem retidas na alfandega mando-te :)

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