Viver uma nova cultura implica entrar na rotina diária de certos hábitos. Um deles é viajar como um passageiro e não como um turista num autocarro citadino.
Apanhei a carreira n.º1 que faz o percurso entre o mercado de Ben Thanh e o centro de Cholon – a Chinatown.
A central de camionagem fervilha. Enquanto chegam autocarros, outros, partem para destinos que não consigo identificar. As pessoas passam, umas apressadas, outras vagarosas. As mercadorias são diminutas ou quase nulas, possivelmente porque estamos na cidade e, pelo que entendi, os percursos são exclusivamente urbanos.
Gosto muito de me sentar num autocarro, comboio ou metro e ficar a olhar para os meus vizinhos da frente. É engraçado fazer algumas comparações - sem pretensão de hierarquizar ou qualificar - com outras cidades que visitei: em NYC os passageiros, passam o tempo da viagem agarrados ao smart phone. Em Madrid, Barcelona ou Valência, os livros são companheiros habituais dos viajantes, tal com em Paris. Em Frankfurt e Munique registei váias vezes pessoas a ler jornais tentando equilibrar-se no meio dos solavancos. Em Zurique as senhoras pintam os lábios defronte de um pequeno e redondo espelho enquanto em Genebra ajustam os brincos. Em Florença fala-se alto, mas no Recife ouve-se música através do mp3… por aqui, em Saigão… corta-se as unhas entre um trago de chá verde gelado num copo de plástico com uma palhinha… que bom o mundo ser diferente…
O bilhete de ida custou 4000 vnd ou 0,13€. O motorista/cobrador, não entendeu para onde eu queria ir e, não foi simples a emissão do bilhete. Os vietnamitas não têm a noção “de vez”. Passam à nossa frente, por vezes de maneira brusca, não respeitando as filas (que não as há) sendo que o primeiro a chegar é aquele que triunfa, independentemente se já existia alguém na “fila”. Ainda mantenho o hábito Ocidental… de colocar-me ordeiramente atrás de alguém que está à minha frente, aguardando a “minha vez” de ser atendido. Mas não vale a pena, pois se assim o fizer, sou completamente menosprezado e em 10 segundos passam por mim umas 5 ou 6 pessoas. Sucede-se no supermercado, no elevador, na entrada do estacionamento, no restaurante, na bomba de gasolina, no restaurante e também aqui, no terceiro degrau da camioneta.
O motorista não protesta pelos passageiros que passam à minha frente e vai fazendo o troco e emitindo bilhetes a 3 pessoas simultaneamente, como se tivesse o mesmo número de braços de um polvo, enquanto eu tento soletrar C-h-o-l-o-n, fazendo boquinhas ridículas, qual peixe qual quê… desisto. Tentem fazê-lo em frente ao espelho e logo vêem a figura que fiz, C-h-o-l-o-n. Ao fim de alguns passageiros ultrapassarem-me pela esquerda e pela direita ele apresenta um bilhete. Pago. Não protesto. O preço é tão pequeno que nem vale a pena aprofundar se fui enganado!!
As ruas de Cholon são electrizantes. Muita coisa acontece ao mesmo tempo. Vende-se tudo. Desde o champô ao colchão, passando pelo arroz ao incenso. Começa a surgir enfeites e calendários referente à passagem do ano Lunar Chinês. Será na ultima semana de Janeiro e a primeira de Fevereiro. Predominando o vermelho e o dourado…
O cheiro do peixe seco entra pelo nariz e teima em ficar…
Mercadores montados em motas passam muito rente ás pessoas, cheios de pressa, apitando de quando em vez. Transportam inimagináveis produtos, empilhados ate ao limite que a gravidade possibilita… e vê-los passar, como equilibristas, num zig-zag de cintura, contornando tudo e todos…
Come-se.
Vende-se.
Regateia-se.
Compra-se.
A linguagem universal do comercio. Muda-se as latitudes das praças, mas os mercados são todas iguais. Ainda não ouvi um pregão… mas prometo que vou descobrir.
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Adoro viajar contigo ...
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